Desabafo em alta montanha, entre os óculos escuros e as máscaras:
Nos últimos 80 anos o Aconcágua vitimou pouco mais de 100 pessoas.
Proporção pequena diante de outras escaladas de alta montanha.
Dor grande pela perda do dentista de Sorocaba Eduardo Silva.
Julgamentos virão.
É fácil falar do que não se sabe...
Repórteres ávidos pela notícia falarão,
entrevistarão,
formarão opinião sobre ...
Amanhã a notícia será outra - outro julgamento, outra vida.
E la nave va.
"Se já aqui Confluencia acontece desordenação mental, vc deveria repensar suas prioridades..." ouvi uma vez de uma sábia mulher.
Foste cedo amor, mal começaste a me ensinar a vida.
Onde vc estiver guiando, a vida te acompanha 'ermoza chica'.
HariOM Marty!
'Plaza de Mulas' - 'Nido de Condores' e 200 ms acima 'Cambio de Pendiente', último passo - já é o acampamento de ataque ao cume, ou não.
Escalamos porque ela está lá!
Sem nunca esquecer que também é ela que escolhe quem e quando vai conquistá-la.
Quem viveu viu.
"Há outros Annapurnas na vida dos Homens"
Maurice Herzog
quarta-feira, 12 de janeiro de 2005
domingo, 9 de janeiro de 2005
Ser e objeto
As peças de marfim do xadrez
são tão alheias ao xadrez
quanto as mãos que as esculpem,
e àquelas que as manipulam.
Manatee
:O)
são tão alheias ao xadrez
quanto as mãos que as esculpem,
e àquelas que as manipulam.
Manatee
:O)
quarta-feira, 22 de dezembro de 2004
domingo, 5 de dezembro de 2004
Vagau
"A genoa 3 substituiu a genoa 1, à tarde o vento aumentou para quase 30 nós, a grande foi reduzida e a genoa 3 deu lugar à storm jib. Um contravento brabo."
O mar é a maior expressão da Natureza
e é ela a essência, a alma,
a razão de ser do mundo em que vivemos.
Hélio Setti Jr
Saudades do Vagau,
e do Brasileirinho,
que me levaram navegando por esse mundão aí fora.
Donde estarás boa-praça?
Quiçá calculando posições de 04 coordenadas?
No worries mate!
We´ll catch up sometime
Ser - Verbo Ser (Drummond)
VERBO SER
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor.
Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?Tenho os três.
E sou?Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser?
Dói?
É bom?
É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a?
Posso escolher?
Não dá para entender.
Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo. Sem ser Esquecer.
Carlos Drummond de Andrade
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor.
Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?Tenho os três.
E sou?Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser?
Dói?
É bom?
É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a?
Posso escolher?
Não dá para entender.
Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo. Sem ser Esquecer.
Carlos Drummond de Andrade
As Sem-Razões do Amor
AS SEM-RAZÕES DO AMOR
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
E agora José? Carlos Drummond de Andrade
Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou, e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.
JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou, e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,você é duro, José!
Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade
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