domingo, 5 de dezembro de 2004

Vagau

"A genoa 3 substituiu a genoa 1, à tarde o vento aumentou para quase 30 nós, a grande foi reduzida e a genoa 3 deu lugar à storm jib. Um contravento brabo."

O mar é a maior expressão da Natureza
e é ela a essência, a alma,
a razão de ser do mundo em que vivemos.
Hélio Setti Jr




Saudades do Vagau,
e do Brasileirinho,
que me levaram navegando por esse mundão aí fora.
Donde estarás boa-praça?
Quiçá calculando posições de 04 coordenadas?
No worries mate!
We´ll catch up sometime

Ser - Verbo Ser (Drummond)

VERBO SER

Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor.
Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?Tenho os três.
E sou?Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser?
Dói?
É bom?
É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R. Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a?
Posso escolher?
Não dá para entender.
Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo. Sem ser Esquecer.



Carlos Drummond de Andrade

As Sem-Razões do Amor

AS SEM-RAZÕES DO AMOR

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.

Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

E agora José? Carlos Drummond de Andrade

Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.



JOSÉ
E agora, José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou, e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,

a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia

e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,você é duro, José!

Sozinho no escuro qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua para se encostar,
sem cavalo preto que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 3 de dezembro de 2004

Ex auricula asinum - Eu vou pro céu!

Magister dixit:
Com a devida vênia ao amigo e profesor Aristóteles, que pensa pois é.
...
E assim,
intercalo nas minhas meditações do céu e da terra,
coisas...
que não brilham de sol ou se pisam com pés - maravilhas fluidas da imaginação.
Meu Deus, meu Deus, a quem assisto? Quantos sou? Quem é eu?
O que é este intervalo que há entre eu e mim?

Dixo:
Quem me engana mais?
Aquela que com doce sorriso me convida a jantar
ou aquele cujas ásperas palavras me incute a idéia?
Nada mais que eu próprio ao deixar, por entre os véus de Maia,
me levar e me trazer nessas ondas de "insoncice"!
Mons Parturiens a fábula

:O)

A Dor de Pensar

Para se ser feliz é preciso saber-se que se é feliz. Não há felicidade em dormir sem sonhos, senão somente em se despertar sabendo que se dormiu sem sonhos. A felicidade está fora da felicidade.
Não há felicidade senão com conhecimento. Mas o conhecimento da felicidade é infeliz; porque conhecer-se feliz é conhecer-se passando pela felicidade, e tendo, logo já, que deixá-la atrás. Saber é matar, na felicidade como em tudo. Não saber, porém, é não existir.

Mesmo eu, o que sonha tanto, tenho intervalos em que o sonho me foge. Então as coisas aparecem-me nítidas. Esvai-se a névoa de que me cerco. E todas as arestas visíveis ferem a carne da minha alma. Todas as durezas olhadas me magoam o conhecê-las durezas. Todos os pesos visíveis de objectos me pesam por a alma dentro.

Livro do Desassossego
Fernando Pessoa
Não assinado nem homonimonizado

Quem sabe saber
o é
ser feliz

Né?:O)




:O)

sábado, 27 de novembro de 2004

Ser/Estar Solteiro?

Quando a doce felicidade
de minha liberdade pequena de solteiro,
der lugar ao repentino sentimento
de ausência por alguém
Saberei então, que me apaixonei...
:O)